quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Concurso Nacional de Leitura- Fase Distrital



Irá realizar-se, no dia 16 de abril 8 (tarde), na biblioteca municipal da Nazaré, a fase distrital do Concurso Nacional de Leitura. As obras a concurso são as seguintes:
3º CICLO:
Ernest Hemingway – O velho e o mar (Edições Livros do Brasil)
Ondjaki – Os da minha rua (Ed. Dom Quixote)

SECUNDÁRIO:
José Saramago – A viagem do elefante (Editorial Caminho)
Jorge Amado – Capitães da areia (Ed. Dom Quixote)

A escola organizará o transporte e disponibilizar estas obras aos alunos finalistas deste concurso.

Vencedoras do concurso "Faça lá um Poema"- fase escola

Parabéns Inês Vieira e Sara Penas!

A Inês Vieira (9º A) e a Sara Penas (10º CT3) foram as vencedoras, a nível de escola, do concurso Faça lá um Poema. Os poemas destas alunas vão representar a escola neste concurso, organizado pelo PNL (Plano Nacional de Leitura).

A todos os alunos que participaram fica o nosso apreço pelo empenho !

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Autor do mês de fevereiro- José Gomes Ferreira

José Gomes Ferreira
(1900-1985)



José Gomes Ferreira é considerado um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.

Representante do artista social e politicamente empenhado, nas suas reações e revoltas face aos problemas e injustiças do mundo, a sua poética acusa influências tão variadas quanto a do empenhamento neo-realista, o visionarismo surrealista ou o saudosismo, numa dialética constante entre a irrealidade e a realidade, entre as suas tendências individualistas e a necessidade de partilhar o sofrimento dos outros.
José Gomes Ferreira


Para saber MAIS




domingo, 8 de janeiro de 2012

Concurso Nacional de Leitura

À semelhança do ano transato, a Biblioteca Escolar e os professores de Língua Portuguesa/Português, dinamizaram o Concurso Nacional de Leitura. No dia 6 de janeiro realizou-se a prova escrita, a nível de escola, com a participação de 30 alunos do 3º ciclo e do secundário. As provas orais realizam-se no dia 10 de janeiro, terça-feira, às 14:15H, para os alunos do secundário e, no dia 11 de janeiro, quarta-feira, às 16: 45 H, para os alunos do 3º ciclo, com vista ao apuramento dos três vencedores de cada categoria que participarão na fase distrital.

Parabéns aos participantes!

LER + DÁ SAÚDE- Celebrando o Natal e o Dia de Reis

Dando continuidade ao projeto iniciado no ano letivo anterior, os alunos do 8º A e 8ºB, orientados pela professora Ana Filomena e com o apoio técnico-logístico dos professores Nuno Pedrosa e Celeste Custódio, concretizaram a atividade celebrando o Natal e o Dia de Reis. Os alunos gravaram excertos de poemas e contos de Natal e também tiveram a oportunidade de partilhar a sua própria magia de Natal com os utentes do Centro Hospitalar Oeste Norte, através do circuito interno de televisão, durante a quadra Natalícia.

A complementar este projeto, realizou-se no dia 5 de janeiro uma atividade de leitura pelos referidos alunos para os doentes do CHON.

Autor do mês de janeiro- Luís Vaz de Camões

Luís Vaz de Camões
1525(?) - 1580(?)


Luís Vaz de Camões nasceu em 1525 (?) e morreu em 1580 (?). Os seus restos mortais (?) encontram-se no mosteiro dos Jerónimos. Teve uma existência atribulada, atendendo ao pouco que dela se conhece. Estudou em Coimbra, esteve em Ceuta e lutou na Índia, tendo entretanto perdido um olho. Após o seu regresso a Lisboa, frequentou o Paço, mas viveu com dificuldades, de uma pensão régia exígua, não vendo reconhecido o seu mérito
A sua reputação afirmou-se como grande poeta da nacionalidade, não cessando de aumentar, sobretudo depois da perda da nossa independência. Nesse tempo, o sentimento de perda e de necessidade de encontrarmos a nossa identidade, levou a que a sua epopeia Os Lusíadas fosse valorizada pelos inconformados com a situação do país, pois ficámos sob o domínio filipino durante sessenta anos.
Cultivou também o teatro, mas afirmou-se sobretudo na poesia lírica (Rimas), com grande variedade de géneros: sonetos, canções, éclogas, redondilhas, entre outros.
É o grande poeta do maneirismo português, pela filiação na tradição clássica à maneira renascentista, mas sensível ao conhecimento pela experiência que a época e as viagens lhe proporcionaram.
A sua obra é enriquecida por uma vivência sensível do sentimento e do saber, modulada na imitação dos antigos, mas permeável às marcas contemporâneas de uma existência em mutação. Por isso, ela se carateriza por uma enorme complexidade, na qual sobressai a vivência aguda de tensões que comunicam ao seu lirismo uma agudeza simultaneamente experiencial e literária.


Luís Vaz de Camões – o expoente máximo do Renascimento em Portugal


Camões é o artista mais completo do Renascimento. Improvisa com a desenvoltura de um homem de espada, eleva-se, sem aparência de esforço, ao tom de uma corte cerimoniosa, faz reviver da Idade Média tanto a vida popular como o maneirismo aristocrático, retém da Antiguidade o vigor, a plenitude, o sentido da expressão justa e calculada, aproveita dos Castelhanos o pitoresco dos” modismos”, a fantasia imprevista no burlesco, assimila de Petrarca o jogo sábio das antíteses, a arte de requintar os sentimentos delicados. Nele se perpetua a melancolia chorosa e langorosa do bucolismo nacional. Tão capaz de calçar um coturno estreito como de se expandir em livres confidências, brinca com todos os ritmos, põe-se todo inteiro numa obra diversa, múltipla, onde ressoa a trombeta heroica, onde geme a flauta pastoril, onde retine, como uma dissonância aguda, a ironia vingadora.
George Le Gentil, Les Cent Chefs-d’oeuvre Étrangers (trad. de Hernâni Cidade)


A sua poesia
Em Camões coexistiu a poesia com sabor trovadoresco dos Cancioneiros (“medida velha”) com uma poesia cujos modelos formais e temática (“medida nova”) revelam a cultura humanística e clássica do autor, que soube encontrar em Platão, Petrarca ou Dante um mentor ou um mestre para o caminho que trilhou e explorou com sabedoria, com entusiasmo e com a paixão do seu temperamento.
Cantando o amor sublime ou a relação mais fútil, o Poeta soube como poucos definir-se e definir a alma humana, oferecendo-nos a sua experiência de vida ou o mundo no seu desconcerto, com os seus problemas sociais e morais e a eterna questão do mal que aflige a Humanidade. Os temas da sua lírica são vastos e variados, indo da análise da sua vida interior à caraterização da realidade do seu tempo ou à busca do dimensionamento do homem universal.

As composições líricas de Camões oscilam entre dois pólos: o lirismo confessional, em que o autor dá expressão à sua experiência íntima, e a poesia de pura arte, em que pretende transpor os sentimentos e os temas a um plano formal, lúdico.
Neste segundo pólo, Camões revela-se um subtil ourives de composições delicadas e gráceis, discretamente preciosas, fabricadas com o ouro dos cabelos do sol, com o verde dos campos e dos olhos, o resplandecimento dos olhares e das águas, tudo ordenado em antíteses e paradoxos, segundo linhas enredadas mas geométricas. É nas redondilhas sobretudo, género tradicional da “antiga Espanha”, que Camões pratica este tipo de poesia, que marca a passagem do escolasticismo do Cancioneiro Geral para o conceptismo barroco.
Também nas redondilhas em estilo conceptista Camões desenvolve temas inspirados por uma reflexão sobre a situação existencial.
António José Saraiva, Iniciação na Literatura Portuguesa, Gradiva, 1996

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o tempo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E, do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.



Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Pois meus olhos não cansam de chorar
tristezas, que não cansam de cansar-me;
pois não abranda o fogo, em que abrasar-me
pôde quem eu jamais pude abrandar:

não canse o cego Amor de me guiar
a parte donde não saiba tornar-me:
nem deixa o mundo todo de escutar-me,
enquanto me a voz fraca não deixar.

E se em montes, rios, ou em vales,
piedade mora, ou dentro mora amor
em feras, aves, plantas, pedras, águas,

ouçam a longa história de meus males
e curem sua dor com minha dor;
que grandes mágoas podem curar mágoas.


Endechas a Bárbara Escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que para meus olhos
Fosse mais formosa.

Nem no campo flores.
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva
Que neles lhe mora,
Para ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos.
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela enfim descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo,
E, pois nela vivo,
É força que viva.



Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Os Lusíadas, a grande epopeia nacional



Os Lusíadas, publicados em 1572, são a obra épica da Renascença. Camões, influenciado pelo mundo antigo, pelas epopeias clássicas de Homero (Ilíada e Odisseia) e de Vergílio (Eneida), canta o povo intrépido, exaltando o espírito do povo português que foi capaz da formação de Portugal e da expansão imperial. Tomando o povo como herói coletivo, reelabora a História, celebra o apogeu e pressente a decadência do império.
A epopeia Os Lusíadas celebra a ação grandiosa e heroica dos portugueses que deram início ao grande império que se estendeu pelos diversos continentes.
Mostra a história de um povo que teve a ousadia da aventura marítima, “dando novos mundos ao mundo”.


Camões imortalizou a grandeza e a força épica do povo português que destemidamente desafiou o desconhecido e deu novos mundos ao mundo. Celebrou no seu canto épico o povo português pioneiro na descoberta de um mundo novo, desafiando o desconhecido, ultrapassando o medo e todos os outros obstáculos. Exaltou a gesta marítima dos Descobrimentos. Enalteceu a comunicação estabelecida entre os povos e o conhecimento que se obteve da diversidade de culturas e tradições existentes nos diversos espaços geográficos por onde os nautas navegaram, alargando, desta forma, os horizontes da humanidade.

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Proposição, Canto I

Os Lusíadas – edição online
www.oslusiadas.com/
Para Saber +

Grandes Portugueses





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Autor do Mês de Dezembro- Padre António Vieira

Padre António Vieira
(1608-1697)

Um dos homens mais notáveis de Portugal, um dos mestres da nossa língua, um dos primeiros pregadores do seu tempo, um homem cuja inteligência vastíssima abrangia todos os assuntos e resplandecia em todos os campos, o “imperador da língua portuguesa” como lhe chamou Fernando Pessoa.
Missionário
Pregador
Diplomata
Profeta
Escritor


Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros.
Padre António Vieira


Uma das mais influentes personalidades do século XVII…
Nasceu em Lisboa, a 6 de fevereiro de 1608, e aos seis anos partiu com a família para a Baía, no Brasil, onde o pai exercia a função de secretário da Governação. Estudou no colégio jesuíta da Baía e ingressou na Companhia de Jesus, recebendo ordens em 1634, adquirindo rapidamente grande fama como pregador. Em 1641, partiu para Lisboa com o governador, para apresentar ao rei D. João IV a adesão à causa da Restauração. O rei encarregou-o de várias missões diplomáticas na Holanda e em Roma. Não foi bem-sucedido, regressou novamente ao Brasil e dedicou-se à missionação dos índios.
Foi prodigiosa a sua ação como visitador e superior de todas as missões, atividade que o obrigava a permanentes viagens pelo interior do território. Foi o tempo, como ele afirmou, mais feliz da sua vida. Foi, também, um do período muito difícil e perigoso. A evangelização dos índios e a sua proteção ocuparam-no intensamente, mas o seu perfil combativo e enérgico despertou facilmente os rancores dos colonos e dos roceiros. Perante o elevado número de negros e negras que desembarcavam na Baía para serem submetidos à escravidão, Vieira não se calava e o conflito agravou-se. Durante um mês pregou todos os dias (são os sermões conhecidos como Rosa Mística, do Rosário), abordando o tema da escravatura. Os jesuítas foram acusados de obstar ao desenvolvimento económico do Brasil e os ódios atingiram o auge. Assim, em Maio de 1661, os colonos do Maranhão assaltaram a Companhia de Jesus e, logo a seguir, aconteceu o mesmo com a casa dos membros da Ordem em Belém, onde se encontrava António Vieira. Os jesuítas foram insultados, agredidos e aprisionados em várias embarcações, reduzidos à miséria e à fome, tendo sido, por fim, expulsos do território brasileiro. Assim, em setembro de 1661, todos os religiosos, incluindo Vieira, são postos na nau Sacramento e enviados para Lisboa.
Após a morte de D. João IV, a Inquisição acusou-o de professar opiniões heréticas (1662-1667), mas foi absolvido com a subida ao trono de D. Pedro II. Depois de novo e intenso período de trabalho como diplomata em Roma e como pregador, regressou definitivamente à Baía, entregando-se à tarefa de continuar a edição completa dos Sermões iniciada em 1679. Morreu com quase 90 anos de idade. Além dos Sermões (13 tomos publicados entre 1679 e 1699), escreveu Esperanças de Portugal, Clavis Prophetarum e História do Futuro.

A prosa de intervenção…

Como orador e artista da prosa seiscentista, a sua obra – sobretudo os Sermões – anda estritamente ligada ao seu tempo e à sua vida. Considerado o maior orador sacro de Portugal, dominou todo o século XVII pela sua personalidade vigorosa, entregue completamente à luta pelos direitos dos oprimidos e por um Portugal independente.
A sua obra, de que é indissociável a sua intensa ação como homem público, compõe-se de cerca de duzentos sermões, mais de quinhentas cartas e uma série de documentos vários – de política, diplomacia, profecia e religião - onde demonstra uma profunda capacidade de análise e denúncia dos vícios humanos, com grande realismo e inteligência implacável na sua ação moralista.

Do púlpito, interrogou, desafiou, acusou, invocou, apelou, apoiou, afastou, recusou…
Bateu-se até à morte pelos grandes ideais da sua vida: a defesa dos oprimidos, a libertação dos escravos índios do Brasil, a liberdade de crença para os judeus…

Vieira e o V Império

O Padre António Vieira, ao desenvolver o mito do Quinto Império, considerava que, depois dos grandes impérios do passado, chegaria o Império Universal Cristão, o Quinto Império, liderado pelo Rei de Portugal. Em História do Futuro, declarou: "Chamamos Império Quinto ao novo e futuro que mostrará o discurso desta nossa História; o qual se há de seguir ao Império Romano na mesma forma de sucessão em que o Romano se seguiu ao Grego, o Grego ao Persa e o Persa ao Assírio". Mais tarde, Fernando Pessoa, na obra Mensagem, anunciou um novo império civilizacional, que, como Vieira, acreditava ser o português.
Com uma construção literária e argumentativa notáveis, os seus sermões revelam uma intensa ligação com a vida pública, o que resulta numa prosa eminentemente funcional, mas que não perde nunca o nível de universalidade necessário a toda a obra de arte perdurável.
Possuidor de uma inteligência poderosíssima, Padre António Vieira arquitetou mundos à medida dos seus sonhos e deixou-nos como legado uma obra que se afirmaria como um dos paradigmas da prosa portuguesa.

Alguns dos seus sermões…
Sermão da Conceição da Virgem Senhora Nossa (1635)
Sermão de Nossa Senhora do Ó (1640)
Sermão dos Bons Anos (1641)
Sermão do Mandato (1643)
Sermão da Terceira Dominga do Advento (1644)
Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma (1644)
Sermão do Mandato (1645)
Sermão da Primeira Oitava da Páscoa (1647)
Sermão da Dominga Vigésima-Segunda depois de Pentecostes (1649)
Sermão da Primeira Dominga do Advento (1650)
Sermão do Mandato (1650)
Sermão de Santo António aos Peixes (1654)
Sermão da Primeira Dominga da Quaresma (1653)
Sermão da Quinta Dominga da Quaresma (1654)
Sermão da Sexagésima (1655)
Sermão do Bom Ladrão (1655)
Sermão da Terceira Dominga da Quaresma (1655)
Sermão de Dia de Ramos (1656)
Sermão da Quarta Dominga da Quaresma (1657)
Sermão da Sexta -Feira da Quaresma (1662)
Sermão da Quarta Dominga da Quaresma (1661)
Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma (1669)
Sermão do Mandato (1670)
Sermão de Quarta-Feira de Cinza (1672)
Sermão da Rainha Santa Isabel (1674)
Sermão da Primeira Dominga do Advento
Sermão da Quarta Dominga do Advento
Sermão do Nascimento do Menino Deus
Sermão da Dominga Décima-Sexta depois de Pentecostes

E, com toda a razão e sabedoria emotiva, Fernando Pessoa consagrou-o definitivamente no poema-livro Mensagem, de exaltação épica e patriótica:

ANTÓNIO VIEIRA
O céu strella o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portugueza,
Foi-nos um céu também.

No immenso espaço seu de meditar,
Constellado de fórma e de visão,
Surge, prenuncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do ethereo.
E’ um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Imperio
Doira as margens do Tejo.

Algumas das suas palavras…
Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é o futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro.
in Sermão de Quarta feira de Cinzas
, Roma, 1672


As imagens de escultura fazem-se tirando; as de pintura, pondo: para este tirar é necessário muito desinteresse; para este pôr e acrescentar muita prudência, muita justiça, muita inteireza, muita constância, e outras grandes virtudes, que mais facilmente faltam todas que se acham juntas.
in Sermão da 22ª Dominga de Pentecostes


Quando o lavrador quer plantar de novo em mata brava, mete primeiro o machado, corta, derriba, queima, arranca, alimpa, cava e depois planta e semeia. Quando o arquiteto quer fabricar de novo sobre edifício velho e arruinado, também começa derribando, desfazendo, arrasando e arrancando até os fundamentos, e depois sobre o novo alicerce levanta nova traça e novo edifício. Assim o faz e sempre fez o supremo criador e artífice do mundo, quando quis plantar e edificar de novo.
in História do Futuro


Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos quando fazemos. Nos dias que não fazemos, apenas duramos.


Para falar ao vento bastam palavras. Para falar ao coração, é preciso obras.


Para ensinar é necessário amar e saber, porque quem não ama não quer e quem não sabe não pode.


Toda a vida (ainda das coisas que não têm vida) não é mais que uma união. Uma união de pedras é um edifício; uma união de tábuas é um navio; uma união de homens é um exército. E sem esta união, tudo perde o nome e mais o ser. O edifício sem união: o navio sem união é naufrágio; o exército sem união é despojo, é ruína. Até o homem (cuja vida consiste na união do corpo e da alma) com união é homem, sem união é cadáver.


As suas críticas são intemporais…
A terra continua a estar corrupta...
Os homens exploram-se uns aos outros…

À distância de quatro séculos, as situações de injustiça social prevalecem no mundo.
A terra continua a estar corrupta.

Como é possível que isto aconteça?
Como é possível?

Já pensaste nisto?
Já fizeste algum gesto para contribuíres para a mudança?

Pensa nisso!


Para saberes mais...

alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/vieira.htm
Manoel de Oliveira, Palavra e Utopia:








Documentário “Grandes Livros” – Sermão de Santo António aos Peixes: