sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mensagem à (des)Humanidade...

No contexto da evocação, no próximo dia 10 de Dezembro, do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, parece-nos pertinente partilhar o olhar crítico de uma aluna sobre a humanidade:


HOMEM: indivíduo da espécie humana. Todos somos Homens. Todos diferentes. Tal como a água, fria ou quente, numa gota ou em corrente, mas água. E, acima de tudo, pura. Não é também pura a criança que berra pela primeira vez ao mundo? Chora, grita, todavia nada cá fora se lhe compara em pureza naquele momento singular. Nada é, no entanto, tão incerto como esse ser, nesse instante. Quem poderá afirmar que esse petiz será… será, apenas? Não nos deparamos nós com sociedades em que o bebé, pelo simples facto de se apresentar diferente, seja olhado como um não ser? Simplesmente não é palpável, engloba-se na paisagem quotidiana da favela ou nos subúrbios da cidade de que tanto nos orgulhamos. Uma ligeira névoa poeirenta, que facilmente dissipamos, seja ao entrar na viatura cujo espelho nos protege ou ao embelezarmo-nos com os Ray-Ban que nos ocultam o espelho da alma.
É assim a Humanidade. Palavra mal construída. Derivada do vocábulo “Homem”. Terá sentido a Humanidade ser tudo menos humana? Compaixão, sonho, fraternidade, igualdade, amor, amizade. Tudo parte integrante do Homem. Tal como os escrevi: livres. Só a partir desta liberdade é possível a presença de todas, sem repressões, sem uma ordem estritamente necessária sem nexo. Por vezes, a Humanidade constrói-se tendo por base apenas a Harmonia.

Júlia Ribeiro - 11º CT1

domingo, 5 de dezembro de 2010

Autor do Mês de Dezembro - Maria Teresa Maia Gonzalez



MARIA TERESA MAIA GONZALEZ nasceu em Coimbra, em 1958, formou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu a profissão de professora de Português, Inglês e Francês, entre 1982 e 1997.

A sua vasta obra é essencialmente constituída por romances juvenis que abordam sérias questões ligadas aos problemas dos adolescentes.

Da sua vasta publicação, destaca-se o título A Lua de Joana, por ser o seu maior sucesso editorial. Publicado em Lisboa, em 1994, a obra, em forma de diário de uma jovem adolescente que inadvertidamente cai nas malhas da fatídica droga, teve uma projecção internacional, sendo editada também na Alemanha, Bulgária, Albânia, Espanha e China.

A Colecção Profissão: Adolescente, com 27 títulos publicados, todos várias vezes reeditados é também da sua autoria. Esta colecção dirigida, essencialmente, aos adolescentes, poderá ser lida por qualquer adulto interessado nas várias questões complexas que, actualmente, assolam a juventude. A escritora, dotada de uma sensibilidade notória, recorrendo a uma escrita muito acessível e genuína, consegue transportar-nos para o mundo instável e fascinante dos jovens.

Em colaboração com Maria do Rosário Pedreira, criou a Colecção O Clube das Chaves, de que foram publicados 21 volumes. Aliás, os seus primeiros passos na publicação iniciaram-se em 1989 com a edição do primeiro volume da referida colecção, que lhes permitiu ganhar um concurso literário.

Numa das numerosas entrevistas dadas pela escritora nas escolas, que visita com regularidade, a escritora explicou os motivos que a levaram cedo à necessidade de escrever.

Quando um dia comecei a escrever não o fiz por pensar no dinheiro que ganharia com isso, na fama que iria ter ou em festas como a de hoje. Comecei a escrever como forma de desabafo perante as barreiras do Mundo. São inúmeros os problemas que dia após dia encontro. Crianças são maltratadas, fome, guerra, droga, álcool, tabaco, stress…Dizemos viver num Mundo evoluído. Concordo, a nível de tecnologias pouco ou nada nos falta. Mas, e o resto? Onde ficou a evolução do Homem na forma de amar? Onde evoluiu o Homem na maneira de resolver problemas? Onde evoluiu o Homem quando toma a decisão de ter filhos? Não evoluiu. Não é só preciso que a taxa de natalidade suba, é preciso termos crianças felizes. O dinheiro, bens materiais não chegam para essa felicidade. É preciso amor, tempo e dedicação. Crianças devem poder sorrir sempre ao longo do seu crescimento. Chega de pais part-time, de mães ausentes, de discussões diárias, de falta de tempo. As crianças precisam de amor. A droga e todos os vícios vivem diariamente com eles e se ninguém os ensinar e apoiar não saberão como fugir a esse mundo. Não podemos pensar que isto acontece apenas aos outros, acontece todos os dias, a pessoas, tal como nós. E foi por tudo isto, para tentar salvar algumas dessas crianças e jovens que comecei a escrever. Se eles virem o quanto estes mundos provocam a dor saberão que não devem segui-los e conseguirão ser felizes.”


Para além dos romances juvenis, são também da sua autoria histórias infantis, poesia, contos, ficção para adultos e uma colecção juvenil de peças de teatro, que são levadas ao palco pelos inúmero
s artistas distribuídos pelas escolas do país.

A nossa escola teve o privilégio de receber a escritora em 2005. Foi uma experiência muito enriquecedora, da qual resultou um site na internet: www.literarte.no.sapo.pt. Sugerimos que visites este espaço virtual e que participes, visto que nele poderás relatar as tuas experiências como leitor.

Várias são as páginas Web dedicadas à escritora:

http://www.noslemos.blogspot.com/

( Blogue realizado após a

visita da escritora a uma escola.)

http://5knowledge.blogs.sapo.pt/

(Entrevista à escritora r

ealizada por alunos.)

http://bibliosttau.blogspot.com/2008/04/entrevista-imaginria-escritora-maria.html

(Entrevista imaginária a Maria Teresa Maia Gonzalez brincando com os títulos dos seus livros.)

...

A escritora está no Facebook.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

75 anos da morte de Fernando Pessoa


Na Escola Secundária Raul Proença, no dia 30 de Novembro, assinalámos os 75 anos da morte de Fernando Pessoa. Evocámos a sua vida e obra, através de várias actividades: mostra bibliográfica, exposição de excertos de poesia/prosa na Biblioteca e leitura dramatizada de poemas em várias turmas pelos alunos do 12º ano, que "encarnaram" Fernando Pessoa e os seus heterónimos . De referir que esta actividade contou com a colaboração da Casa Fernando Pessoa que, amavelmente, respondeu à solicitação feita pela biblioteca e por um grupo de alunos do 12º ano, no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

No CERNE da Ciência


No dia 22 de Novembro, às 10.30 H, na Biblioteca, irá realizar-se a palestra "No CERNE da Ciência". Trata-se de uma actividade dinamizada pelos professores Carlos Pires e Luís Perna, participantes no programa " Escola de Professoress CERN 2010"-Genebra-Suiça.
Pretende, deste modo, divulgar junto da comunidade escolar a importância do CERNE no domínio da investigação da física de particulas.

Homenagem a José Saramago


No âmbito do 88º aniversário de José Saramago, decorreu na Biblioteca, no dia 16 de Novembro, uma maratona de leitura durante a qual os alunos do 9º, 10º 11º e 12º anos leram exertos de obras do "nosso Nobel". Foi desta forma singela que recordamos a vida e obra de um dos maiores vultos da língua portuguesa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Autor do Mês de Novembro - José Saramago


Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga.
A maior parte da sua vida decorreu, portanto, em Lisboa.


“Durante toda a infância , e também os primeiros anos da adolescência, essa pobre e rústica aldeia, com a sua fronteira rumorosa de águas e verdes, com as suas casas baixas rodeadas pelo cinzento prateado dos olivais (…), foi o berço onde se completou a minha gestação, a bolsa onde o pequeno marsupial se recolheu para fazer da sua pessoa, em bem e talvez em mal, o que só por ela própria, calada, secreta, solitária, poderia ter sido feito.”


José Saramago, Pequenas Memórias



Após os estudos secundários, foi serralheiro, mecânico, desenhador, tradutor, funcionário administrativo, editor, jornalista…
Algumas das suas experiências profissionais ajudam a perceber a orientação da sua obra.
Publicou o seu primeiro livro, um romance, Terra do Pecado, em 1947, tendo apenas surgido, em 1966, a sua segunda obra Os Poemas Possíveis.








Foi uma personalidade activamente envolvida na vida pública do seu país.
Depois de 1974, desenvolveu uma intensa militância política numa linha de coerência com os valores da revolução de Abril.
Nunca negou as suas convicções ideológicas de esquerda, dando delas constante testemunho nos vários planos da sua intervenção na sociedade: agiu e escreveu, actuando sempre no uso pleno da sua cidadania.










José Saramago foi o primeiro escritor português a conquistar o Prémio Nobel da Literatura, que lhe foi atribuído em 1998.

Termino. A voz que leu estas páginas quis ser o eco das vozes conjuntas das minhas personagens. Não tenho, a bem dizer, mais voz que a voz que elas tiverem. Perdoai-me se vos pareceu pouco isto que para mim é tudo.”

(Excerto do discurso de José Saramago aquando da entrega do Nobel da Literatura)








(Em actualização...)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CONCURSO DE FOTOGRAFIA


No âmbito do Projecto "Ler+ para CONHECER, CRESCERe SER", a Bilbioteca desafia os alunos a serem criativos.

Tendo como ponto de partida a leitura de um livro, pretende-se que os alunos seleccionem um excerto e o interpretem fotograficamente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comemoração do Centenário da República

Clique na imagem para conhecer o programa

A Escola Secundária Raul Proença associa-se às comemorações do centenário da República com um programa próprio. Convidamos toda a comunidade educativa a viver este centenário connosco.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Autor do mês de Outubro: José Jorge Letria





José Jorge Letria nasceu em Cascais em 1951. Destacou-se em vários domínios da cultura. Participou na elaboração de programas de rádio e televisão e foi redactor e editor de jornais como “Diário de Lisboa”, “República”, “Musicalíssimo”,“Diário de Notícias” e “Jornal de Letras”.

Como cidadão activo, desempenhou funções de vereador da Cultura, na Câmara Municipal de Cascais e, actualmente, é vice-presidente e administrador da Sociedade Portuguesa de Autores.

Integra, igualmente, em representação da SPA, o Comité Executivo do Conselho Internacional de Autores Dramáticos, Literários e Audiovisuais.

A liberdade, o seu ideal de vida, inspirou-o constantemente na sua produção literária, revelando-se também nos anos de luta clandestina e, posteriormente, quando subiu aos palcos como cantor de intervenção. Integrou, com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, entre outros, o movimento da canção de resistência, tendo sido agraciado em 1997 com a Ordem da Liberdade.

Teve sempre a preocupação de esclarecer os mais novos, dedicando-lhes inúmeras obras que abordam diversos valores e vertentes da acção humana:


















Preocupou-se em divulgar junto dos jovens a cultura e a história de Portugal. Assim, a história de vida de figuras marcantes como Aristides Sousa Mendes, Humberto Delgado, Carlos Paredes, Zeca Afonso… inspirou a sua escrita.
















E especialmente para os mais novos, sugerimos a descoberta de um gato fascinante, Mouschi, que partilhou momentos de grande ternura com a sua dona, Anne Frank.













E, para terminar, gostaríamos de vos presentear com alguns poemas deste sonhador de palavras.

O amor é
um nome de mulher
na boca de um homem.

O amor é
uma flor perfeita
na lapela de um homem só.

O amor é
um continente sem fronteiras
para que tudo aconteça.

O amor é
a alegria do corpo
sem vergonha de amar.

O amor é
dividir somente
o que se pode partilhar.

O amor é
uma cidade azul
no dorso de uma nuvem.

O amor é
um rapaz loucamente
apaixonado por uma rapariga.

O amor é
tão fácil e tão simples
que até se torna difícil.

O amor é
tudo aquilo que um dia
ganhamos coragem para ser.

O amor é
gostarmos de nós
e sabermos porquê.




OS LIVROS

Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Chegaste à tua nova ESCOLA!

Dinis Mota

Na Biblioteca encontras muitos recursos e uma equipa de pessoas que querem ajudar-te a CONHECER, CRESCER e SER feliz no convívio com os livros.

BOM ANO LECTIVO!

domingo, 23 de maio de 2010

Filme do Mês - Maio 2010 - Robin dos Bosques, de Ridley Scott

No dia 13 do corrente mês, estreou no nosso país a mais recente adaptação das aventuras de uma das mais famosas personagens da cultura inglesa: Robin dos Bosques (Robin Hood). Se contabilizarmos também as séries televisivas, esta é a 110.ª vez (sim, leram bem) que a sétima arte se interessa pelo mítico fora-de-lei que habitou, segundo a lenda, a floresta de Sherwood e se entretinha a “roubar aos ricos para dar aos pobres”. Em 2012, celebrar-se-á o centenário da primeira adaptação, sendo que a mais popular, e a única que até agora merece um lugar na história do cinema, é o famoso filme de Michael Curtiz (o realizador do eterno Casablanca) e William Keighley, estreado em 1938 e com o enorme Errol Flynn a desempenhar o papel principal.

Desta vez, foi Russell Crowe quem sugeriu a Ridley Scott uma incursão pela Inglaterra medieval, revisitando o mito que tem encantado os leitores e espectadores desde o século XIV. O filme constitui a quinta colaboração entre Crowe e Scott, depois de Gladiador (2000), Um Ano Especial (2006), American Gangster (2007) e O Corpo da Mentira (2008). O actor neozelandês (de 46 anos) e o realizador inglês (já com 72) procuraram uma abordagem diferente, sobretudo ao nível do argumento, mas sem contrariarem a génese da personagem principal. Houve, por isso, alguma preocupação com os factos históricos que conduziram a uma crise nacional na Inglaterra dos finais do século XII. Ao contrário de outras versões, o rei Ricardo Coração de Leão acaba por não ficar muito bem na fotografia…

No entanto, podemos encontrar no filme as personagens que também possuem parte importante nesta lenda, como Lady Marian, o xerife de Nottingham, o príncipe João ou o rei Ricardo e, como não podia deixar de ser, lá estão os “fora-da-lei” (os “merry men” da versão original) Little John, Will Scarlet e Friar Tuck (um frade muito especial).

Além de Russell Crowe, o filme conta com os desempenhos de actores extraordinários, e muito premiados, como Cate Blanchett, Max Von Sydow ou William Hurt.

Um filme que deves ver com a curiosidade bem desperta…

Trailer do Filme:


domingo, 16 de maio de 2010

Autor do mês de Maio: Luís Costa Pires


Luís Costa Pires nasceu em Moçambique, no ano de 1976. Em 1977, viajou para Portugal, onde vive desde então, nas Caldas da Rainha. Estudou Gestão de Empresas, mas dedica-se profissionalmente ao jornalismo e à escrita.
Publicou o primeiro romance em 1998, com o título “A Rainha de Copas” (em segunda edição), vencendo o prémio “Prosas de Estreia”. No ano 2000, publicou “Depois da Noite” e em 2002, lançou o seu terceiro romance, “Mandrágora”. Em 2003, é publicado um livro com duas peças de teatro denominado “A Desconstrução da Alma”
Trabalha actualmente como free lancer na assessoria de comunicação e imprensa e guionista de cinema e TV.
Foi Assessor de Comunicação da Câmara de Peniche e director da revista “Mais Zoom”. Foi jornalista em títulos como The Portuguese Post (Canadá), In Motion (Alemanha), Jornal de Leiria, Jornal das Caldas, Oeste Online, Tribuna do Oeste e Região de Cister, escrevendo também crónicas para a Fábrica de Conteúdos, Gazeta das Caldas, Notícias da Amadora e para as revistas DIF e 365.
Em 1998 foi condecorado com uma medalha do Município das Caldas da Rainha, pelo contributo dado à cultura no concelho.

Tem um blogue no endereço
www.depoisdanoite.blogspot.com
e uma página oficial em
www.myspace.com/luiscostapires


(in site da Anae - Associação Nacional de Animação e Educação)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Autor do Mês de Abril: Ary dos Santos



Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1936. Destacou-se como poeta, publicitário, autor de poemas cantados, declamador, criador de textos de revista e foi um cidadão politicamente comprometido antes e depois do 25 de Abril.
Iniciou a sua escrita literária aos 14 anos, no mesmo ano em que a sua mãe morreu e que a sua família lhe publicou alguns poemas. Aos 16 anos surgiu o primeiro reconhecimento da sua escrita, quando os seus poemas foram seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett. Por essa altura, Ary dos Santos decidiu abandonar a casa paterna e a família, passando a exercer os mais variados ofícios, sem nunca abandonar a escrita.
Em 1963, publicou o seu primeiro livro de poemas, A Liturgia do Sangue.
1969 é outro ano decisivo na sua vida: filiou-se no PCP e deu início à sua actividade política. Reconhecido pela sua participação activa e pela apaixonada e corrosiva intervenção, demarcou-se nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio artístico muitos amigos. Tornou-se conhecido devido a ter participado diversas vezes em festivais de RTP da Canção. São da sua autoria Desfolhada Portuguesa (1969), Menina do Alto da Serra (1971) e Tourada (1973), canções que arrecadaram o primeiro prémio em diferentes edições do referido festival.
A 29 de Março de 1973, Ary dos Santos, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e José Jorge Letria, participam no I Encontro da Canção Portuguesa, no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Este evento foi rodeado de forte aparato policial, até porque a poesia de todos estes autores, sendo de cariz interventivo, constituía uma forte arma contra o regime vigente, na medida em que o denunciava em muitos aspectos.
O poeta morreu a 18 de Janeiro de 1984, quando preparava um livro autobiográfico intitulado «Estrada da Luz-Rua da Saudade» e a edição de dois livros de versos, “Trinta e Cinco Sonetos” e as “Palavras das Cantigas”.

Da sua obra destacamos:

1953 - Asas
1963 - A Liturgia do Sangue
1964 - Tempo da Lenda das Amendoeiras
1965 - Adereços, Endereços
1968 - Insofrimento In Sofrimento
1970 - Fotos-grafias
1970 - Ary por Si Próprio
1973 - Resumo
1974 - Poesia Política
1975 - Lllanto para Alfonso Sastre y Todos
1975 - As Portas que Abril Abriu
1977 - Bandeira Comunista1979 - Ary por Ary
1979 - O Sangue das Palavras
1980 - Ary 80
1983 - Vinte Anos de Poesia
1984 - As Palavras das Cantigas
1984 - Estrada da Luz
1984 - Rua da Saudade

A nossa selecção de poesia de José Carlos Ary dos Santos:



KYRIE

Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas,
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo,
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filhos de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!


PORTUGAL RESSUSCITADO

Depois da fome, da guerra
da prisão e da tortura
vi abrir-se a minha terra
como um cravo de ternura.
Vi nas ruas da cidade
o coração do meu povo
gaivota da liberdade
voando num Tejo novo.
Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido
Vi nas bocas vi nos olhos
nos braços nas mãos acesas
cravos vermelhos aos molhos
rosas livres portuguesas.
Vi as portas da prisão
abertas de par em par
vi passar a procissão
do meu país a cantar.
Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido
Nunca mais nos curvaremos
às armas da repressão
somos a força que temos
a pulsar no coração.
Enquanto nos mantivermos
todos juntos lado a lado
somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.
Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido.



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Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!



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Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.


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A máquina de escrever

Meu amor silabado minha esdrúxula
meu acento tão grave que me abre
minha rosa dos ventos minha bússola
minha vírgula tola meu sentido
reticências parágrafo gemido
A
caído
na tecla do ouvido
E
incerto
dois espaços parágrafo deserto
I
sorriso mundano que é preciso
O
círculo fechado
U
murmúrio atento e obrigado


Meu carreto de sonhos meu endereço
retrocesso paragem recomeço
minha caixa postal sem nada dentro
minha resposta paga TEMPO E VENTO
meus dois pontos de angústia CARNE E ÁGUA
minha letra dobrada MAR E MÁGOA
meu ditongo de sono PÃO E CÃO
meu açaimo de frases de palavras
agastadas batidas desgastadas
ditadas digitadas agitadas
pela dança guerreira dos meus dedos.
Minha letra maiúscula de MEDO
tabulador da minha solidão.

Minha aspa dos olhos minha infância
minha última cópia da verdade
til subtil caindo no papel
pelo trema abolido da saudade.

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Da minha torre de Narciso


Ao sol, ao vento, à música, levanto
Esta voz que não tenho. A Deus imponho
A obrigação de me escutar o canto
E entender o que digo e o que sonho.

A mim me desafio. Aos outros ponho
A condição de me odiarem tanto
Que não descubram nunca o que suponho
O meu secreto e decisivo encanto.

Contra o que sou me guardo e quando oiço
Falar do que pareço, posso então
Encher o peito de desprezo e riso.

Pois só eu me conheço e só eu posso
Subir até àquela solidão
Onde me incenso, amo e realizo.