domingo, 9 de dezembro de 2012
Realização do questionário
Viagem à volta dos livros
LIVRO DO DESASSOSSEGO
UM LABIRINTO DE SONHOS…
“Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.”
Abre-se numa página qualquer e a VIAGEM acontece…
Um LABIRINTO de reflexões e de emoções sobre a alma humana…
Não há nenhuma maneira lógica de o ler…
DESAFIANTE…
Uma ENCICLOPÉDIA sobre os mais variados temas… 
Alguns exertos…
“Antefalhei a vida, porque nem sonhando-a ela me pareceu deleitosa. Chegou até mim o cansaço dos sonhos…Tive ao senti-lo uma sensação extrema e falsa, como a de ter chegado ao término de uma estrada infinita. Transbordei de mim não sei para onde, e aí fiquei estagnado e inútil. Sou qualquer coisa que fui. Não me encontro onde me sinto e se me procuro, não sei quem é que me procura. Um tédio a tudo amolece-me. Sinto-me expulso da minha alma.
Assisto a mim. Presenceio-me. As minhas sensações passam diante de não sei que olhar meu como coisas externas. Aborreço-me de mim em tudo. Todas as coisas são, até às suas raízes de mistério, da cor do meu aborrecimento.”
“Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.”
“A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre (…).”
“A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova.”
“VIVER É SER OUTRO. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.
Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção – isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.”
“E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.”
Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”
“O Homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como de não poder fitar os seus próprios olhos.
Só na água dos rios e dos lagos ele podia fitar seu rosto. E a postura, mesmo, que tinha de tomar, era simbólica. Tinha de se curvar, de se baixar para cometer a ignomínia de ser ver.
O criador do espelho envenenou a alma humana.”
“APOTEOSE DO ABSURDO
Absurdemos
a vida,
de leste a oeste.”
“Criei-me eco e abismo,
pensando.
M u l t i p l i q u e i – me
aprofundando-
-me.”
Do terraço deste café olho tremulamente para a vida. Pouco vejo dela – a espalhada – nesta sua concentração, neste largo nítido e meu. Um marasmo, como um começo de bebedeira, elucida-me a alma de coisas. Decorre fora de mim, nos passos dos que passam e na fúria regulada de movimentos, a vida evidente e unânime. Nesta hora dos sentidos estagnarem-me e tudo me parecer outra coisa – as minhas sensações um erro confuso e lúcido, abro asas mas não me movo, como um condor suposto.
Homem de ideais que sou, quem sabe se a minha maior aspiração não é realmente não passar de ocupar este lugar a esta mesa deste café?”
Parte à descoberta do outro Pessoa…
Procura - o… e… procura-te neste labirinto de sonhos que é o LIVRO DO DESASSOSSEGO!
Para Saber +
Documentário: Fernando Pessoa – Biografia e Livro do Desassossego
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
90º aniversário de José Saramago
No próximo dia 16 de novembro evocamos o 90º aniversário de José Saramago.
A este propósito preparámos uma exposição biográfica e bibliográfica na nossa biblioteca.
Descubra o "Nosso Nobel"!
Parabéns, José!
Concurso Coleção Cherub, "República Popular"
A nossa escola, em colaboração com a Porto Editora está a dinamizar o concurso associado à coleção Cherub, a propósito do livro, República Popular, de Robert Muchamore.
Todos os participantes receberão certificado de participação e uma caneta. Os três primeiros classificados são premiados com o livro, caneta, certificado de participação e uma t-shirt.
Para ganhares estes prémios vai à biblioteca, requisita o livro. lê-o e responde ao questionário no dia 12 de dezembro.
Participa!
Concurso Nacional de Leitura
CONCURSO NACIONAL DE
LEITURA
2012-2013- 1ª fase
Obras a
concurso
3º
ciclo
A Lua de Joana de
Maria Teresa Maia Gonzalez
OU
Sexta Feira ou a Vida Selvagem de Michel
Tournier
Secundário
A
Esmeralda do Rei de Paulo Pimentel
OU
Amor
de Perdição de Camilo Castelo Branco
Vai à biblioteca e leva o livro que escolheste.
Participa!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Viagem à volta dos livros
Com o projeto Uma Viagem à Volta dos Livros procuramos dar visibilidade a livros que, em nosso entender, são significantes e que, por isso, não podemos deixar de ler.
Recordamos as palavras de Carlos Drumond de Andrade quando afirma, Os livros são navios de sair pelo mundo.
Fica o convite. Embarque connosco nesta viagem!
Há livros que mudam a nossa forma de ver o mundo e os outros…
Com A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez, acompanhamos os pensamentos de uma adolescente que está em sofrimento e aprendemos a perceber as suas emoções. Joana perdeu a sua melhor amiga, Marta; os seus pais estão demasiado ocupados para perceber a dor e a raiva que no seu coração vão crescendo; sente que também não pode contar com o seu irmão, que designa como “o Homem de Cro-Magnon”, “o Pré-histórico”, “o cavernoso”.
Perante todas estas ausências, que caminhos foram percorridos pela Joana?
LISBOA, 28 DE AGOSTO
Querida Marta,
Demorei muito para me resolver, o que não era costume. Para dizer a verdade, não sabia que fazer. Precisava de desabafar, tentar compreender tudo o que aconteceu e, como foste sempre a minha única confidente... Não fazia sentido escrever um diário, pois dava-me a sensação de estar a escrever para mim própria, o que acho um bocado estranho. Talvez seja ainda mais estranho escrever-te, mas é uma forma de manter viva a tua memória, pelo menos até entender o que se passou contigo; pelo menos até conseguir perdoar-te...
Faz hoje um mês que tu... Não sou ainda capaz de dizer a palavra. Se calhar, é porque não acredito que já não estás aqui comigo. É tão difícil acreditar!
Como sabes, hoje fiz anos. São duas da manhã e estou demasiado excitada para dormir. Vou contar-te o que recebi. A minha mãe acedeu finalmente a redecorar o meu quarto - está tal e qual como eu queria! Todo branco (paredes, tapete, colcha, cortina) e até me mandou fazer o baloiço dos meus sonhos: é uma meia-lua de madeira (branca, claro) que está suspensa do teto por uma corrente, mesmo no meio do quarto. E única no Mundo! Fui eu que a imaginei. Quando quero pensar, coloco-a em posição de quarto crescente e, quando estou triste, rodo-a para quarto minguante e sento-me até que a tristeza passe. O armário velho foi para o corredor, assim, fiquei com mais espaço para dançar, quando me apetece. Das «antiguidades» só ficou a escrivaninha, por causa daquelas gavetinhas todas que sempre me deram um jeitão para os segredos. Sei que acharias demais, mas também foi pintada de branco! À minha mãe tudo isto pareceu um bocado exótico, mas foi forçada a comparar as minhas notas com as do Pré-histórico (a quem comprou uma nova prancha de surf carérrima) e não teve outro remédio. Chamou-me caprichosa e não sei que mais. Não me importei.
A avó Ju deu-me uns brincos que usava quando era nova. Disse-me: «Com catorze anos já tens idade para umas perolazinhas...» Um amor, a minha avó.
do Cro-Magnon, como é costume, estava liso, portanto deve ter pedido uns trocos à mãe e deu-me um chocolate (sabendo perfeitamente que sou alérgica) e um cartão idiota com o desenho de um chimpanzé horrendo, que diz «Tás a ficar velhota!»... Realmente é triste ter um irmão assim, paciência.
Quanto ao meu pai, deu-me mais um relógio, imagina! Já tenho uma coleção disparatada (como diz a avó Ju), mas ele não deve lembrar-se dos que me deu nos anos anteriores. Tem muito que fazer, como sempre... Provavelmente, mandou a Lisete comprar-me a prenda, é o mais certo. Ele só sai do consultório para operar, como é que podia ter tempo...
No que respeita à festa que a minha mãe queria fazer, proibi-a terminantemente e, para a convencer, tive de dizer que não havia direito de me estragarem o dia de anos. Sem ti, a festa não seria a mesma coisa. Além disso, não tenho vontade de festejar coisa nenhuma. Fazer anos não é assim tão especial como isso, ainda se fossem quinze...
Estou a ficar com sono, finalmente. Preciso de dormir. Espero não sonhar outra vez contigo. É terrível!
Um beijo da
Joana
P.S. Esqueci-me de contar que a minha mãe, como não podia deixar de ser, resolveu trazer-me umas fatiotas lá da loja dela. Demasiado senhorecas para o meu gosto. Mas era de esperar...
Terá Joana recuperado a alegria e o entusiasmo de viver?
LISBOA, 25 DE DEZEMBRO
Querida Marta,
Foi o Natal pior da minha vida. Sem ti, sem a avó Ju, o meu pai com gripe, de cama e, para piorar tudo, descobri uma coisa terrível: o Diogo anda a drogar-se! Isto é tão horrível que nem me apetece continuar a falar do assunto, mas, por outro lado, preciso de desabafar. Tive uma conversa séria com a Rita (aquela conversa que eu já há muito tempo queria ter e ainda não tinha conseguido) e ela disse-me com a maior calma do mundo: «Olha, Joana, nós não te dissemos nada para tu não fazeres logo uma cena. Sabíamos que ias desatinar, quisemos poupar-te, até porque o Diogo está fixe, numa boa, mesmo. Pode parar quando quiser. Está tudo sob controlo, estás a topar? Não há crise.» Fiquei de boca aberta e, quando arranjei coragem, perguntei-lhe se ela também se drogava. Respondeu-me com a mesma voz calma de lagoa: «Eu já ando nisto há muito tempo, muito mais do que o Diogo, mas não sou parva, não sou nenhuma débil mental, sei parar quando devo. O que aconteceu com a Marta foi um grande azar e muita inexperiência. Comigo isso nunca aconteceria. Não curto histórias que acabam mal.» Voltei a ficar de boca aberta.
Como é que eu fui tão estúpida que não percebi isto antes?! Estou arrasada. Não sei o que hei de fazer nem sequer o que hei de pensar. Nunca me senti tão desorientada em toda a minha vida. Tudo está a cair sobre mim. Quero um foguetão e um bilhete de ida para ir para Plutão!
Vou-me deitar. Não aguento mais tanta coisa horrível na minha cabeça.
Um beijo com lágrimas (lágrimas são tudo o que posso dar-te este Natal) da
Joana
Acerca do livro:
“Quando escrevi este livro, tive a noção de que o tema era importante porque, infelizmente, trata de uma questão actual que afeta um número impressionante de famílias nos quatro cantos do mundo.”
Maria Teresa Maia Gonzalez in “Prefácio”, A Lua de Joana, Ed. Babel, 2010
Para saber mais, consulta:
o audiolivro: http://luadejoana.podomatic.com/
http://www.noslemos.blogspot.com/
(Blogue realizado após a visita da escritora a uma escola.)
http://5knowledge.blogs.sapo.pt/
(Entrevista à escritora realizada por alunos.)
http://bibliosttau.blogspot.com/2008/04/entrevista-imaginria-escritora-maria.html
(Entrevista imaginária a Maria Teresa Maia Gonzalez brincando com os títulos dos seus livros.)
A escritora está no Facebook.
Envia as tuas impressões acerca deste livro para o email da biblioteca: esrpbiblioteca@sapo.pt
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Concerto de outono na Raul Proença
No próximo dia 26 de outubro, às 21 horas vai realizar-se o concerto de outono no polivalente da nossa Escola. Trata-se de uma iniciativa das bibliotecas escolares do agrupamento e que conta com a participação da Academia de Óbidos. Fica o convite a toda a comunidade para participar neste evento associado o Mês da Música.
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